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Existem 5x mais pesquisas sobre impotência sexual do que sobre TPM, por quê?

23 de agosto de 2016

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Muitos homens e talvez a sociedade também, pensem que a impotência sexual é o equivalente a TPM da mulheres, não é mesmo? Segundo uma pesquisa, não exatamente.

Em média, 90% das mulheres sofrem de algum dos 150 sintomas relacionados ao ciclo menstrual, enquanto só 19% dos homens têm – ou dizem ter – disfunção erétil. Porém, mesmo com todos esses fatos, muitos dos estudos científico focam apenas nos problemas dos homens, deixando a TPM das mulheres de lado.

Se você for fazer uma pesquisa, por exemplo, no ResearchGate – uma rede de compartilhamento de artigos científicos -, você pode notar que os títulos sobre disfunção erétil são cinco vezes mais comuns que os que falam de tensão pré menstrual. E isso é preocupante demais, porque a TPM atrapalha a vida de muitas mulheres. Alguns dos sintomas da TPM são: enxaquecas, quadros depressivos, ansiedade, dores físicas fortes e indisposição.

Normalmente, esses estudos científicos ajudam a melhorar a saúde e os tratamentos, porém como não há pesquisas sobre TPM, não existe nenhum avanço. Para você ter uma ideia da gravidade da Tensão Pré Menstrual, hoje, 40% das mulheres não respondem aos tratamentos que existem para a TPM. Entre elas, algo entre 5% e 8% experimentam uma coisa chamada Transtorno Disfórico Pré Menstrual (TDPM), uma tensão pré menstrual fortíssima que leva 15% de suas portadoras a tentar suicídio – e que frequentemente é confundida com doenças mentais, como o transtorno bipolar.
Esse silêncio da comunidade científica é preocupante. Conhecemos muito bem sobre a TPM, ela foi descrita pela primeira vez em 1931 pelo ginecologista Robert Frank. Antes dele, esses dias em que estamos com os nervos a flor da pele eram vistos como histeria (uma doença que, supostamente, se originava no útero e deixava as mulheres emocionalmente instáveis e irracionais). Nessa época a coisa era ainda pior, mesmo depois dos estudos de Frank. O conselho da maior parte dos ginecologistas nessa época era para as mulheres que sofriam com TPM extrema removerem os ovários ou o útero.

Um tanto quanto medieval, você concorda? Mas, de lá pra cá, pouca coisa foi descoberta sobre a TPM – e até hoje, ninguém sabe exatamente o que causa a tensão. E mais assustador ainda é o fato de que essa prática de remoção do útero continua sendo feita em casos extremos, tudo por causa da falta de estudos sobre o assunto.
E sem pesquisas, fica difícil para os médicos compreenderem mais sobre o transtorno – tanto é que, em alguns casos, a ciência chega a negar a existência da TPM, simplesmente porque há pouca investigação sobre ela.

Encontrei um caso nos Estados Unidos, de uma psicóloga, Kathleen Lustyk que em uma entrevista publicada no ResearchGate, ela comenta que teve muitos problemas para estudar a TPM porque seus revisores sugeriram que o transtorno era “apenas um produto da nossa sociedade, que acabou transformando um processo natural em uma coisa negativa e, por causa de sua previsibilidade mensal, leva ao sofrimento antecipado”.

E existe ainda, se não for o principal fato, de que mesmo se hoje todos os cientistas se interessassem em estudar a TPM, a tensão pré menstrual não é igual em todas as mulheres. Os sintomas podem ainda mudar de mês para mês na mesma mulher, e variam entre dores físicas, baixa imunidade, alterações de humor, variações do apetite e dezenas de outros males. Algumas TPMs são mais fortes, outras mais fracas; algumas mais longas, outras mais curtas – não há um padrão.

Porém, podemos começar a ver uma pequena luz no fim do túnel, apenas em julho de 2016 a Sociedade Internacional de Distúrbios Pré Menstruais (um grupo de pesquisadores e médicos que estudam o problema) estabeleceu um padrão para o diagnóstico da TPM. Se a gente lembrar que a TPM foi “descoberta” há mais de oito décadas, surpreende muito que só agora esse tipo de atitude esteja sendo tomada.

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